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17 novembro 2017

{Senta que lá vem história!} ~Contos Medievais: O ferreiro, Nosso Senhor Jesus Cristo e o demônio ~

Oie,  seus lindos!
Como estão?
Sextou e eu tô como? Morta de cansada e desanimada para ir para o trabalho.
Mas já estou quase pronta, e sei quando chegar lá, a animação acaba aparecendo!

Hoje é dia de atualizar uma das colunas mais amadinhas aqui do blog: Senta que lá vem história!
Normalmente eu posto contos de terror/horror/suspense, mas hoje eu trouxe algo diferente.
Além de ser uma grande admiradora das trevas, sou também de histórias medievais, e nosso conto remete a este tema.
Se ajeite em seu sofá, e bora lá!



Contos Medievais: O ferreiro, Nosso Senhor Jesus Cristo e o demônio
Luis Dufaur


Um ferreiro fez um trato com o demônio, adquirindo este o direito de levar-lhe a alma para o inferno sete anos depois.

Durante os sete anos, entretanto, o diabo faria com que o ferreiro se tornasse o melhor artista do ramo no mundo inteiro.

Nosso Senhor Jesus Cristo, entrando com São Pedro na oficina do ferreiro, pôs-se a conversar com ele. De repente entrou um freguês que desejava mandar ferrar o cavalo.
— Permites-me que eu me desempenhe dessa tarefa? — perguntou Jesus.
— Faze como quiseres — respondeu com superioridade o ferreiro. — Se trabalhares mal, sempre hei de poder reparar o erro, visto que sou o melhor ferreiro do mundo.

Sorriu Jesus, e pegando uma das patas do animal, cortou-a. Em seguida, colocando-a na bigorna, ferrou-a com toda a perfeição. Terminado o trabalho, reuniu a pata à perna do cavalo. Cortou a segunda pata e repetiu a operação. Fez a mesma coisa com as outras duas, e recolocou tudo no devido lugar.

O ferreiro, assombrado, fitava-o com os olhos esbugalhados. Nunca vira método mais rápido e original.

Passado algum tempo, entrou na oficina a mãe do ferreiro, uma velhinha corcunda, retorcida, cheia de rugas.
— Queres ver o que sou capaz de fazer? — perguntou Nosso Senhor Jesus Cristo ao ferreiro.

E pegando a mulher, colocou-a sobre a bigorna. Depois, valendo-se de pregos, de martelo e de ferro em brasa, transformou-a em belíssima jovem. Findo o trabalho, despediu-se do ferreiro, que ficara o tempo todo boquiaberto.

No dia seguinte um freguês pediu ao ferreiro que lhe ferrasse o cavalo.
— Como não?! — retrucou o homem. — Vai ser já. Aprendi ontem um novo método, que me foi ensinado por um artista estrangeiro.

Cortou as quatro patas do cavalo, como vira Nosso Senhor Jesus Cristo fazer, colocou-as sobre a bigorna e ferrou-as com a devida precisão. Mas quando se tratou de reuni-las às pernas do pobre animal, começaram as decepções. Nada conseguiu, por mais que lidasse.

O dono do cavalo começou a bradar como possesso, e ameaçou o infeliz ferreiro de levá-lo à polícia. O ferreiro, para se ver livre da embrulhada, viu-se obrigado a desembolsar grande quantidade de dinheiro.

Passou-se aquele dia. No outro, estava o ferreiro na porta da oficina, pensando na desgraça da véspera, quando viu uma velhinha bem corcunda e muito feia. Nasceu-lhe no espírito uma ideia luminosa.

Agarrou-a, colocou-a sobre a bigorna, e apesar dos gritos da infeliz, começou a batê-la sem pena. Se o forasteiro fizera a mesma coisa com sua mãe, e a mudara em criatura mais do que formosa… Bate que bate, acabou por matar a velhinha, reduzindo-a a um monte informe de carne e ossos.

Alguns dias depois, voltou Nosso Senhor Jesus Cristo a aparecer na oficina do ferreiro. Imediatamente este lhe contou o que sucedera.

Queixou-se também do diabo, que não manteve a palavra empenhada, pois estava visto que ele não era o melhor ferreiro do mundo, como supusera até então.

Tratou Jesus de consolá-lo. Depois disse-lhe:
— Manifeste três desejos, e Eu os realizarei.
— Quero que a pessoa que subir à extremidade daquela árvore lá fique enquanto me agrade. Quero também que aquele a quem eu ordene sentar-se naquela poltrona fique lá guardado até que me dê na veneta soltá-lo. O meu terceiro desejo é que aquele a quem eu ordene entrar neste saco se veja obrigado a nele ficar até que eu resolva permitir-lhe sair.
— Serão concedidos — respondeu Nosso Senhor Jesus Cristo, desaparecendo.

Foram-se os sete anos do trato feito com o demônio. E este foi procurar imediatamente o ferreiro.
— Estás pronto? — perguntou-lhe.
— Sim, estou. Mas antes desejaria terminar este trabalho. Olha, enquanto esperas, sobe naquele árvore de peras e tira as que mais te agradarem. Deves estar com fome, evidentemente!

O demônio obedeceu e subiu.
— Agora que aí estás — disse-lhe o ferreiro, desatando a rir — aí ficarás até que eu resolva te fazer descer.

Tentou o demônio descer por si, mas nada conseguiu. Uma força misteriosa o retinha na árvore. Começou então a chorar:
— Se me fizeres descer, dar-te-ei outros quatro anos de vida.
— Desce! — ordenou o ferreiro.

Transcorridos quatro anos do novo prazo, o demônio voltou e perguntou ao ferreiro:
— Estás pronto? — Quase. Antes quero apenas que me deixes terminar este trabalho. Enquanto esperas, bem podes descansar nesta poltrona.

O demônio, cansadíssimo, mergulhou na poltrona.
— Ah! Ah! Agora que aí te encontras — riu-se o ferreiro — ficarás até que eu decida o contrário.

O demônio fez mil e um esforços para levantar-se, mas foi obrigado a reconhecer-se vencido.
— Deixa-me ir — pediu ao ferreiro, em tom de súplica — e eu te concederei outros quatro anos de vida.
— Levanta-te! — limitou-se a dizer nosso amigo.

Passaram mais aqueles quatro anos. Pela terceira vez surgiu o demônio, convidando o ferreiro a segui-lo.
— Pois não — concordou o ferreiro. — Podemos até partir já, se quiseres. Olha, preparei-te uma linda surpresa, neste saco.

O diabo, curioso como ele só, entrou no saco para ver mais de perto a surpresa que lhe havia sido reservada. Imediatamente o ferreiro amarrou a boca do saco, e colocando-o na bigorna, pegou o martelo e começou a bater sem dó.
— Ai! ai! ai! — gemia o demônio. — Deixa-me ir, que nunca mais virei aqui!

O ferreiro, depois de muita insistência do demônio, abriu o saco. E o maligno, mais que depressa, desapareceu, não sendo mais visto nas redondezas.

(Fonte: A. Della Nina, "Enciclopédia universal da fábula": Lendas da Noruega - Editora das Américas, SP, 1957)

Texto retirado do site Lepanto - Frente Universitária & Estudantil 




Curtiram?
Eu adorei. De verdade!
Adoro esse tipo de estória. Acho-as esclarecedoras e super divertidas!

Excelente sexta-feira pra vocês!
Pra quem é da balada, divirta-se e tome cuidado. 
Para quem vai ficar em casa, divirta-se também - e não se incomode com a minha invejinha, rs!
E para os que, assim como eu, irão trabalhar, que a noite seja agradável e que passe rapidinho. Leve.. breve!

Beijinhos

11 comentários:

  1. Hahaha Adorei!!!!!
    Eu sou apaixonada por contos,mas admito que este lance meio medieval não me agrada assim tanto. Mas que mistura mais agradável..rs
    E ainda colocar o "diabito" onde ele merece..rs
    Mesmo com essa pitada generosa de humor, fica aí uma lição importante:ninguém pode escapar de uma mente ardilosa!
    Beijo

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    1. Pois é exatamente essa pitada de humor que me atrai nos contos medievais, viu! Adoooro! Rsrsr
      Bom saber que adora contos, pois eles aparecem com frequência por aqui!

      Beijocas

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  2. Gostei!! Adoro ler contos e esse é bem bacana. Como o homem só pensa em si mesmo né...kkk...enganou até o Diabo para poder viver e ter sucesso. Muitos se aproveitam dos outros para se alcançar o que quer, nesse conto, mesmo que com uma dose de humor, deixa essa mensagem.

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    Respostas
    1. A vontade de ser o melhor faz com que o homem passe a perna até no diabo, rs!
      Beijocas

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  3. Adorei ler esse conto e sinceramente sei ate pra quem indicar. Me lembrou muito uma serie chamada Lucifer que passa a mesma mensagem

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    1. Eu morro de vontade de assistir essa série, Carol!
      Mas eu tenho um pouco de preguicinha, sabe? Mas ela está na lista! Rsrsrsr

      Beijocas

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  4. Amei Fabi!!!
    Acho que foi um dos contos mais bacanas que já li viu...
    Vou até mandar para umas amigas que curtem tbm...
    Bjs!!

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    1. Espero que elas gostem também, Aline! E fico feliz por ter gostado!

      Beijocas

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  5. Oi oi Fabi ;)
    Não costumo ler muito histórias medievais, mas adoro as de terror/suspense que você escolhe para o "Lá Vem História"!
    Assim como a menina aqui em cima disse me lembrou a série Lucifer, que comecei há pouco tempo e já estou amando S2
    Bjos

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  6. Oi, Fabi!!
    Gostei muito de contos pois são estórias rápidas e sempre tem algo para passar para quem ler. Amei esse conto e achei bem divertida diversas partes do texto!!
    Bjoss

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  7. Fabi!
    Gosto também de histórias de terror, das trevas e algumas que se passam na era medieval.
    Esse foi até hilário em alguns ttrechos e terminei rindo apesar da situação.
    Valeu!
    Que dezembro seja repleto de realizações e o final de semana cheio de luz e paz!
    “Dentre os mais dignos predicados de um homem está o de saber dizer a verdade.” (Renato Kehl)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA dezembro 3 livros + 2 Kits papelaria, 4 ganhadores, participem!

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