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04 abril 2017

{Resenha} ~ Revival - Stephen King ~

Opa,  voltei!
Como estão, pipows? Todos bem? Todos lindos?
Siiiimmm, aposto! 😉

Então... Vamos falar sobre King?

O nosso grupo de leituras - o Rouge Literário - escolheu para o mês de fevereiro o livro Revival, de Stephen King. Eu nem preciso dizer que fiquei em polvorosa quando a escolha foi feita, afinal, ele é um dos meus autores preferidos da vida! Mas, mesmo tendo ficado tão animada, demorei uma eternidade pra terminar o livro.
Não, ele não é ruim. Mas uma série de coisinhas acabaram contribuindo pra minha então lerdeza literária. Eu estava extremamente cansada, um tanto quanto impaciente, não conseguia focar no que estava lendo... e, claro, aquele costumeiro embromation encontrado em muitos dos livros de King também colaborou para o meu atraso. Mas, quando finalmente engrenei, eu não consegui parar!
Deixa eu parar por aqui, senão, quando me assustar, falei tudo o que queria aqui e num sobra nada pra resenha, hehe.

Quando li: Março, 2017.
Título: Revival
Autor(a): Stephen King
Editora: Suma de letras
Páginas: 376
Avaliação: 
Onde comprar? Amazon | Americanas | Submarino
Sinopse: Em uma cidadezinha na Nova Inglaterra, mais de meio século atrás, uma sombra recai sobre um menino que brinca com seus soldadinhos de plástico no quintal. Jamie Morton olha para o alto e vê a figura impressionante do novo pastor. O reverendo Charles Jacobs, junto com a bela esposa e o filho, chegaram para reacender a fé local. Homens e meninos, mulheres e garotas, todos ficam encantados pela família perfeita e os sermões contagiantes.
Jamie e o reverendo passam a compartilhar um elo ainda mais forte, baseado em uma obsessão secreta. Até que uma desgraça atinge Jacobs e o faz ser banido da cidade.
Décadas depois, Jamie carrega seus próprios demônios. Integrante de uma banda que vive na estrada, ele leva uma vida nômade no mais puro estilo sexo, drogas e rock'n roll, fugindo da própria tragédia familiar. Agora, com trinta e poucos anos, viciado em heroína, perdido, desesperado, Jamie reencontra o antigo pastor. O elo que unia se transforma em um pacto que assustaria até o diabo, com sérias consequências para os dois, e Jamie perceber que "reviver" pode adquirir vários significados.

Jamie Morton é o caçula de cinco irmãos. Sua família vive em uma pequena cidade no interior da Nova Inglaterra, e todos são muito religiosos - algo comum em cidades assim. Os pais de Jamie têm até algumas tarefas na igreja, são responsáveis por umas coisinhas aqui e acolá, e por isso, o novo reverendo, o sr. Charles Jacobs, os faz uma visita assim que chega à cidade. O pequeno garoto estava em seu jardim brincando com seus soldadinhos de plástico, travando uma grande guerra, quando de repente, uma enorme sombra cai sobre si. Ele ainda não sabe, mas aquela sombra jamais o abandonará.

Todos ficam em polvorosa com a chegada da família Jacobs. Os jovens estão mais dedicados aos encontros realizados às quintas-feiras, estão mais participativos. A igreja está sempre cheia, todos estão encantados pela forma clara, jovial e fervorosa do reverendo. Jacobs é um homem de muita fé, dedicado à sua família como poucos e tem muito amor pelo que faz em sua paróquia. Mas a família e a igreja não são suas únicas paixões. Ele é um estudioso curioso, sedento por conhecimento, mas não um conhecimento qualquer. Ele tem verdadeiro fascínio pela eletricidade, e em breve, esse fascínio se tornará uma obsessão. Quando tudo desmoronar sobre ele, quando não restar nem uma gota sequer de fé, ele terá somente isso: sua obsessão.

Após um evento chamado por todos na cidade de "o sermão terrível", o reverendo Jacobs foi expulso da igreja. Ele o fez após determinado acontecimento, e isso o mudou pra sempre. Naquele momento, ele deixou de ser o Reverendo Jacobs e passou a ser mil outras coisas e pessoas - menos um homem de fé.

Muitos anos depois - vinte ou trinta, pelo menos -, Jamie e Jacobs se encontram novamente. Mas antes, vamos falar um pouco sobre o que aquele pequeno garoto se tornou.

"- Alguma coisa aconteceu! Alguma coisa aconteceu! Alguma coisa aconteceu!"

Aquele tal sermão não mudou somente o reverendo, mas também o caçula dos Morton. O sermão também ruiu sua fé. Mas isso não fez dele uma má pessoa, não. Na verdade, nem mesmo ter chegado ao fundo do poço fez com que ele fosse. Jamie se tornou um guitarrista notável, tocou em muitas bandas famosinhas nas cidades da redondeza, e ele viveu como um verdadeiro rock star vive: imerso em um mundo de sexo, drogas e rock'n roll. A heroína acabou afastando-o de sua família, acabou com sua carreia, quase acabou com sua vida. Graças ao ex-reverendo Jacobs, isso não aconteceu. Graças à Jacobs e sua "eletricidade secreta", Jamie foi curado. Charles Jacobs levou seus estudos acerca da eletricidade adiante, chegou ao ponto de poder curar pessoas com ela. Após curar Jamie, seus avanços foram crescendo cada vez mais. Ele tinha um objetivo obscuro, que nada tinha a ver com a cura. E Jamie, após ser curado, transformou-se não só em testemunha ocular de tal objetivo, mas a chave para que Jacobs conseguisse as respostas que tanto buscava. O reencontro tão esperado.

"[...] Quem escreve? O destino ou o acaso? Quero acreditar que seja o último, do fundo do coração. Quando penso em Charles Jacobs - meu quinto personagem, meu agente de mudança, minha Nêmesis -, não ouso acreditar que a presença dele em minha vida tenha qualquer ligação com o destino, pois isso significaria que todas aquelas circunstâncias terríveis - aqueles horrores - estavam fadadas a acontecer. Se for assim, vivemos na escuridão, como animais em uma toca, como formigas nas profundezes de suas colônias. E não estamos sós." Página 10.

Revival gira em torno disso: das curas realizadas pelo ex-reverendo e das investigações de Jamie acerca delas. Acontece que algumas das pessoas curadas começam a apresentar alguns efeitos colaterais, e esse fato faz com que Jamie e Jacobs se reencontrem, faz com que uma dívida seja cobrada, faz com que a vida de Jamie se torne um inferno. Tais buscas e investigações deixam a narrativa um tanto quanto lenta - algo absolutamente normal em livros do King. Como bem sabemos, ele é o mestre da encheção de linguiça, e também é mestre em nos deixar com cara de tacho.

Acontece que toda aquela enrolação - aliás, corrigindo: tudo aquilo que PARECE enrolação -, no fim das contas, faz total sentido. Quando chegamos aos "finalmentes", tudo se encaixa. E a sensação que temos é de que King está rindo da gente, nos chamando de hereges por termos pensado que ele era um fanfarrão enchedor de linguiça. Sim, aquelas partes são lentas e chatas, minha gente... mas são importantes. E King sabe disso... e é por isso que ele sempre gargalha de nós no final.

Essa encheção de linguiça fez com que as coisas ficassem um tanto quanto corridas no final. Parece que, de repente, ele sentiu necessidade de finalizar toda aquela loucura, e temos a errônea impressão de que ele o fará pelas coxas, mas não. Mais uma vez, King gargalha de nossa ingenuidade, samba na nossa cara, nos xinga, nos considera hereges. Tudo isso porque ele finaliza tudo lindamente, sem nenhuma - eu disse NENHUMA - ponta solta. Todo o embromation de repente se torna vital, tudo começa a tomar forma, tecendo um final eletrizante - e me perdoem pelo trocadilho infame. As últimas páginas do livro são de tirar o fôlego! Nos deixam sedentos por mais, nos faz virar as páginas de forma tão ávida que, por vezes, precisei me frear, pois eu senti que aquela estória estava chegando ao fim, e eu não queria que acabasse.

A pegada de Revival é bem diferente daquilo que as pessoas esperam de King. Aqui não temos um terror escancarado, não. Aqui, o que assusta é o que a mente humana faz. Até onde ela pode ir. O que assusta é o poder da obsessão... até onde ela pode ir. O protagonista da história não é Jamie, nem Jacobs nem a eletricidade. A protagonista é a insanidade. A obsessão. A demência. E isso, minha gente, é mais assustador do que qualquer monstro sobrenatural, zumbi ou sei lá o quê. O que assusta é o fato de que aquilo tudo pode sim ser real,

A narrativa leve e despreocupada de King deixa as coisas mais leves, mesmo que o tema abordado seja tão complicado. Cá temos um livro que bota em xeque a fé, e é por isso que eu acho que ele pode vir a dividir opiniões. E, claro, o fato de não ter o sobrenatural como foco também pode decepcionar alguns leitores. Mas o fato é que ter em mãos uma obra tão rica e intrincada como esta já é, por si só, um acontecimento e tanto. O autor tem uma narrativa como poucas, uma minúcia difícil de se ver por aí. Ele cria um universo tão bem feito e detalhado que é muito difícil não se envolver, mas acontece. É fato que acontece! Nem Deus agradou a todos, então por que logo King agradaria, não é mesmo?

Em suma, é um livro surpreendente. Nos tira da nossa zona de conforto, nos presenteia com a sempre deliciosa narrativa de King e também com uma edição maravilhosa - o que é essa capa, minha gente?
Enfim, fica aqui a minha recomendação forte. Sei que sempre quero influenciar o mundo a ler Stephen King... sei também que sempre me empolgo quando falo de suas obras... mas, né? É o King, o que dizer? Rs

Curiosidades

  • Uma das ex-bandas de Norm Irving, antigo colega de banda de Jamie, é "The Gunslinger", que também é o nome do primeiro livro da série "A Torre Negra".
  • A primeira banda em que Jamie toca se chama "Chrome Roses" (Rosas Cromadas), outra clara referência ao universo de A Torre Negra, onde a "Rosa" é uma figura de vital importância para o desenvolvimento da história.
  • A personagem de Astrid Bree ganhou, quando tinha idade suficiente para dirigir, um Plymonth 1960. O mesmo modelo de outro carro bastante conhecido, Christine - apesar de Christine ser de 1958.
  • A cidade fictícia de Harlon, onde se passa a história de Revival, faz fronteira com outra cidade fictícia bastante conhecida, Chersters Mill, onde rola a história de "Under the dome".
  • Em um determinado trecho do romance, conforme mostrei pra vocês no Instagram, o reverendo Jacobs conta que trabalhou por muito tempo com seus truques em um parque de diversões chamado "Joyland" - mais uma obra de King.

King é ou não é o rei das referências?

10 comentários:

  1. Oi Fabi!
    Estou pasma, como assim, eu nunca tinha ouvido falar de Revival??? Ou seja, uma vergonha para uma (dita) fã de King!
    Eu fiquei curiosa para saber mais como se davam as curas do reverendo Jacobs pela eletricidade e que efeito colateral causava na pessoa e mais sobre essa obsessão doentia que permeia a estória. A fé (quase) cega, parece ser um tema bastante recorrente nas obras de King e como ela pode nos mover em uma direção perigosa. Pensei que só eu achava que Stephen King divagava muito ao longo da trama, o que as vezes pode ser bastante cansativo, mas ele nunca deixa pontas soltas também.
    Adorei a resenha!
    Abraços!

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  2. Fabíola!
    Os livros do King tem esse poder de nos tirar mesmo da zona de conforto.
    Fiquei feliz em ver que a obsessão e a psicose humana são bem abordadas no livro e realmente dá mais medo do que o próprio terror, por que já imaginou ser totalmente dominada por uma obsessão? Cruzes!
    E bom saber que tudo fica amarradinho nesse livro.
    “ Eu creio que um dos princípios essenciais da sabedoria é o de se abster das ameaças verbais ou insultos.” (Maquiavel)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP COMENTARISTA ABRIL especial de aniversário, serão 6 ganhadores, não fique de fora!

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  3. Oi, Fabi!
    Eu peguei algumas dessas referências do King hahhahaha
    Já comentei porque não gostei muito do livro né? Curti, mas não se tornou favorito.
    Mulher, quando terminar Unidos Somos Um venha fofocar comigoooooo
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe do #Sorteio1KSeguidores

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  4. To precisando de algo que me faça voltar a amar Stephen King,fui começar a ler Mr. Mercedes e não passei de alguns capítulos,o problema é que eu me apaixono pelas sinopses e resenhas e no final me decepciono kkkkk,mas vou dar uma chance para esse e ver no que dá.
    Beijos ^.^
    littlewonderscrm.blogspot.com.br/

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  5. Oi, Fabi!!
    Não li ainda esse livro de King. Mas gostei bastante de premissa da estória. Li um livro dele que era mexia mais com o nosso lado emocional. Gostei muito das curiosidades do livro é bem bacana!!
    Bjoss

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  6. E não é que vc conseguiu formar uma opinião bem clara sobre o livro? Quando vc postou sobre ele a um tempinho, quando ainda estava no começo dele, achei que no final teriamos uma daquelas resenhas um pouco confusas, daquelas que vc faz quando não consegue por em palavras oq vc quer expressar. Mas não, aqui temos uma resenha bem clara, que me deixou curiosa, e no final ainda temos de "brinde" curiosidades bem legais. Curti muito a resenha. Sempre que vc vem falar de King eu fico ainda com mais vontade de conhecer as obras dele. Pelo que vc disse aqui o "monstro" desse livro é o mais assustador de todos, tem coisa mais apavorante do que a cabeça do ser humano? Acho que não. Enfim, ótima resenha.
    Bjs

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  7. Oi Fabi...
    Mais um autor que ainda não tive coragem de ler nenhum livro dele... (Vergonha alheia, eu sei... rsrs)... Adorei a sua resenha e está na hora de eu ler algo do King, mesmo sabendo que de alguma forma vai me tirar da minha zona de conforto... Mas muitas vezes isso é necessário...
    Ah, adorei as curiosidades que você colocou no final do post...
    Beijinhos...

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  8. Oi Fabi! Nunca li King, mas vontade não falta. Confesso que tenho um pé atrás porque não sou fã de terror, mas dando uma pesquisada tô pensando em começar por Misery. Já leu? Se sim, acha uma boa começar por ele?
    Achei diferentíssimo essa questão da energia. Me deu vontade de ler só pra saber o que raios ele falou no sermão pra chegar a expulsão e como ele opera os tais milagres com eletricidade.

    Bjs

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  9. Oi, Fabi! Então, mais um livro para lista.
    Esse mês comprei Os Justiceiros e A Casa Negra, do autor. Já leu algum desses? Vou tenta fazer a leitura em maio.
    Adorei sua resenha, muito completa e detalhada, parabéns! Já fiquei super curiosa para fazer a leitura.
    Beijos!

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  10. Geeente, o King é muito maravilhoso mesmo. Não vejo a hora de ler todos os livros dele. Por enquanto tô criando coragem pra começar It, porque esse ano tem o filme e tal ne. Mas em breve vou me apaixonar por todos, certeza.
    Beijos Fabi!

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