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12 janeiro 2019

{Resenha} ~ O Colecionador - John Fowles ~

Alow,  pipows!
Como estão? Quais os planos para esse fim de semana mara?
Os meus são... trabalhar. Plantão no fim de semana é uma "faca de dois legumes", como diriam os saudosos Mamonas Assassinas - ou são bem tranquilos ou bem infernais. Como está dando tempo de fazer uma resenha, acho que este será tranquilo. Ouvi um amém? Hahhahahah

Hoje eu vim para falar de um dos livros que eu li nesse tempo em que estive distante daqui. Ele foi maravilhosamente intenso e perturbador, e tenho a impressão de que a resenha pode ser um pouquinho disso também. Estão prontos? Então, partiu!




Skoob
Quando li: Outubro, 2018.
Título: O colecionador
Autor(a): John Fowles
Editora: Darkside Books
Páginas: 256
Avaliação: 
Onde comprar? Amazon | Americanas | Saraiva | Submarino


Comprei esse livro seguindo um impulso. Uma das minhas metas do ano que passou era ler mais clássicos, e nada melhor do que este carinha para me ajudar a cumpri-la. Além de sempre ter ouvido maravilhas a respeito deste livro, a sua edição, como já esperado - estamos falando de um Darkside! -, é apenas maravilhosa. E, para deixar tudo ainda melhor, essa nova edição contém uma introdução brilhantemente escrita por nada mais, nada menos, do que Stephen King. É pra morrer de amores ou não é? É. Mas mesmo assim eu fiquei com um pezinho atrás. Sou dessas, fazer o quê?


Publicado pela primeira vez em 1963, O colecionador conta a história de Frederick Clegg, um solitário e excêntrico servidor público que nutria um amor platônico pela talentosa e também excêntrica Miranda Gray, uma jovem estudante de artes. Clegg recebe uma gorda premiação na loteria, e assim que se vê montado na grana, decide que, caso tenha a atenção de Miranda só para si, ela poderá conhecê-lo melhor, e assim, corresponder os seus sentimentos. Para tanto, ele prepara uma casa para recebê-la e começa a arquitetar seu sequestro.

A fim de agradá-la, ele não economiza nas instalações: móveis de primeira, roupas que seguem o estilo que Miranda usa, obras de arte pela casa... mas nada de luz do sol. Nada de brisa noturna. A moça é mantida em cativeiro em um quarto onde é tratada como uma princesa, rodeada de luxo e de tudo aquilo que ela adora, mas é privada do essencial, do que ela mais presa: a liberdade. Miranda nada mais é do que mais uma das belas borboletas da coleção de Clegg.


Para se livrar da solidão e também para exorcizar seus demônios, a Borboleta escreve um diário. Graças a esse diário, o livro é "divido" em duas partes: na primeira, conhecemos a trama sob a visão de Frederick Clegg, na segunda, temos a versão de Miranda através das páginas de seu diário.

Por decisão própria, eu pulei a introdução escrita por King. Logo no início ele avisa que seus comentários estão cheios de spoilers, e mesmo não me importando muito com isso, resolvi lê-la somente após o término da estória, e ao meu ver, essa foi uma decisão acertada. Ela foi ainda mais impactante, pois senti como se eu estivesse discutindo a trama com um amigo que também leu o livro, sabe? E o melhor foi perceber que, de alguma forma, nossa compreensão foi parecida: ao meu ver, de alguma forma, ambos são vítimas, e não somente Miranda.

No início do livro acompanhamos a narrativa de Frederick Clegg, e naquele momento, o ranço se instala, claro. Ver que o cara pensa que para se ter  uma mulher é necessário muita grana é revoltante, e acompanhar as decisões tomadas por ele após ganhar o prêmio da loteria só me fez querer socar sua cara repetidas vezes. Temos a nítida impressão de que ele tem plena certeza de que dinheiro é poder, que quem o tem, pode tudo. E o que me incomodou foi que, ao que parecia, a narrativa seguiria por essa vertente: o poder que o dinheiro pode lhe dar. Mas fui enganada.


A leitura do diário foi tão perturbadora quanto a narrativa de Clegg. Ela deixa claro que, ao contrário do que pensamos, não adianta ter dinheiro se você não souber como administrá-lo. Não estou falando sobre gastos exacerbados, e sim de manipulação. Miranda manipula o Talibã (apelido dado por ela ao seu sequestrador) sem o menor peso na consciência e mostra que, ao contrário do que pensamos, eles são extremamente parecidos - e não falo só da personalidade, mas dos traumas e afins. Clegg tem os dias e ações manipulados por ela, e ela o faz deliberadamente, pois um dia já passou pelo mesmo. Um homem mais velho, a quem ela chama de G.P., fez da sua personalidade o que ele bem quis, e aquilo que ela achou ser benéfico, acabou tornando-a ainda mais arrogante, mesquinha e medíocre - assim como Clegg. Ambos têm problemas com suas respectivas famílias, ambos têm personalidades parecidas... ambos são um tanto quanto dementes. Se a narrativa não fosse tão crível e o final tão chocante, eu pensaria que eles eram a mesma pessoa.

Outra hipótese levantada por mim em alguns momentos era: será que Miranda sofre da síndrome de Estocolmo (se não sabe do que estou falando, clique aqui.)? Por vezes eu tive a impressão de que ela sentia certa simpatia por Clegg, talvez até um pouquinho de compaixão, carinho; mas após ler a introdução de King e termos um bate papo maroto, cheguei à conclusão de que esses momentos nada mais eram do que carência. Oi? Carência? Sim. Ela fica presa por cerca de 60 dias, se sente sozinha, incompreendida. Não ter com quem conversar pode ser desesperador, acreditem. Ok, ela batia altos papos com seu Talibã, mas numa situação como aquela, isso não chegava nem perto de ser o suficiente.

O colecionador é um livro intrigante, envolvente, denso e tenso. Ele nos proporciona aquele tipo de leitura que, por vezes, nos obriga a largar o livro.... só para corrermos para pegá-lo de volta instantes depois. Ele tem o dom de nos aproximar dos personagens, ao mesmo tempo que nos afasta dos mesmos. Ele nos perturba, faz com que a gente sinta na pele o que ambos sentem - sim, ambos. Não só Miranda. O genial da trama é isso: oscilamos entre ter pena de um e de outro, e isso é o mais perturbador de tudo.


Depois de tanto falar desse cara eu ainda preciso indicá-lo? Claro! Preciso me certificar de que vocês entenderam que este é, sem dúvidas, um livrão da porra. Se, assim como eu, você pretende incluir mais livros clássicos em suas leituras, não deixe este de fora. Duvido que você irá se arrepender.



4 comentários:

  1. Terminei a leitura deste senhor livro esta semana e posso ser muito sincera? Não sei ao certo o que dizer sobre ele. Sabe quando você termina, fecha o livro e fica ali, odiando os personagens mas ao mesmo tempo, simpatizando com um deles?
    Odiei Miranda. E cá entre nós? Eu vi nela o lado ruim da história, apesar de saber que não é assim que a história é contada.
    Em muitos momentos senti pena de Clegg. Por vezes, consegui ver ele humano. Coisa que não senti nenhum pouco em Miranda.
    Pulei a parte da introdução também(me senti aliviada em saber que não só eu fiz isso).rs
    No mais, é um livro perturbador, único e a DarkSide arrasou na edição!!!
    Super recomendado.
    Beijo

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    Respostas
    1. Tive a mesma impressão que você e fiquei um tanto perturbada por isso, acredita? Fiquei tipo "meu Deus, eu tô a favor do cara que era pra ser o vilão e tô com ranço da mocinha! Algo de errado não está certo!", mas acho que a intenção do autor era exatamente essa: a de nos confundir e mostrar que nem tudo que é mau, é totalmente mau, assim como nem tudo que é bom é totalmente bom. As aparências enganam!
      Ai, deixa eu parar por aqui senão vou encher o povo de spoiler! Kkkkkkkkkkkkkkk
      Depois vamos bater papo sobre ele? É só chamar!
      HAhhahahaa

      Beijocas!

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  2. Oi Fabiola,
    Eu não conhecia o livro, e só pela capa eu não poderia imaginar uma história assim! Fiquei curiosa para saber o final, qual vai ser o desfecho dos dois. Obrigada pela indicação <3

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  3. Oieee. Agora eu fiquei super curiosa para ler esse livro. Confesso que eu nunca tinha ouvido falar dele. Mas agora Quero saber muito mais sobre essa trama. Eu adorei a forma com que você explicou como o autor narra a história. Ele é muito difícil de ler? A escrita é muito clássica?

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Obrigada por sua visita e pelo carinho! <3
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