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10 julho 2018

{Papo Femininja} ~ Afinal, o feminismo está atrapalhando a paquera? ~

"Hoje  tudo é abuso, não pode nem cantar as mina que já começa o mimimi" - Marconquistador Araújo, 35 anos, em resposta a uma matéria sobre abuso sexual.

"Você está sozinha porque não dá espaço para os caras. Fica postando nas redes sociais que é feminista. Isso espanta os homens." - Antaonio Soares, 37 anos, explicando sobre os motivos da minha solteirice.

"O feminismo atrapalha até as mulheres que não escolheram ser feministas. Mulher gosta de ser cortejada, gosta de passar numa construção e os caras mexerem. O feminismo atrapalhou tudo isso. Esse tal de amor próprio que você tanto fala, está relacionado com cortejo" - Ronda Aluada da Cruz, 31 anos, em conversa informal.

Essas são declarações de amigos, próximos a mim, sobre a questão do feminismo na atualidade. Claro que troquei os nomes, espero que você não se sinta ofendido se for uma dessas pessoas.

O feminismo é um dos assuntos mais discutidos. As mulheres estão mostrando cada vez mais sua força. Porém, para muitas e claro, para a maioria dos homens; as questões levantadas pelo movimento andam atrapalhando a conquista. Por um lado, muitos homens afirmam que tomar a iniciativa está difícil num mundo em que "tudo" é tido como abuso ou assédio. Nesse mesmo lado, mulheres que dizem não ser adeptas ao movimento, afirmam que as feministas atrapalham suas vidas amorosas, já que os homens têm receio de apertar o play para o tal do jogo da sedução.

De outro lado, mulheres que apontam a falta de respeito em momentos que deveriam ser leves.

Será que o feminismo atrapalha mesmo na hora da paquera?

Esse é o tema de hoje no nosso Papo Femininja. Antes de clicar para ler tudo, fique ciente que se trata de uma opinião pessoal da blogueira Bia (euzinha).


Fui criada em uma cidade pequenina, com dois mil habitantes, no interior do estado de São Paulo. Na adolescência, época em que não existiam redes sociais, o point era sairmos na praça da cidade, e ficarmos rodando a pé em círculos nessa praça. Essas "voltas" tinham várias intenções: conhecer novas pessoas, andar calmamente para papear, e claro, era esse trajeto que permitia a paquera.


Troca de olhares, se rolasse algo recíproco era fácil saber. O boy dava um jeitinho de dar a volta em sentido contrário, só para esbarrar contigo, ou fazia questão de se sentar em um banco para "efetivar" o olhar certeiro.

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Tudo lindo não é não? Acho que daria pra escrever um livro de romance florzinha.

Fiquem tranquilos que não farei o discurso comum de "na minha época não existia assédio". Existia sim. Dentre vários rapazes que se mantinham de forma saudável, alguns eram mais "abusados".

Ao sinal de interesse, eles demonstravam puxando a moça pelo braço; parando para dar aquela olhada (nos livros de romance descrita como "me senti engolida por aquele olhar"); muitas vezes gritando alto coisas como "você está gostosa" "delícia". E tudo isso não era dito no ouvidinho, na privacidade, tão pouco pessoalmente - cara a cara. Isso era dito alto, em meio a outras pessoas; todos ouviam.

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E claro que a abordagem um tanto que agressiva, de puxar a moça pelo braço, as vezes um toque inesperado no cabelo, na roupa... também era vista por todos.

Vocês devem ter chegado a conclusão que isso aconteceu comigo e com minhas amigas. E acho que também concluíram qual a abordagem que mais me agradava.

Nunca gostei de ser assediada verbalmente, por gritos. Não tenho um corpo maravilhoso, nem tive isso na adolescência, não me considero gostosa. Queria ser. Ahh como queria. Mas não é porque eu queria ser gostosa, que ser chamada de gostosa por um cara me agrada.

Não gosto de contato físico por parte das pessoas que não conheço e não dei liberdade para tal.

A volta na praça poderia ser incentivo para os homens concluírem que queria ser paquerada?

Dias atuais. A praça da pequena cidade ainda existe, porém os jovens já não tem o hábito de andar por horas ao seu redor no sábado a noite. Os tempos mudaram.

Eu sinto que caí de paraquedas. Estou reaprendendo a ser solteira. Mas uma coisa não mudou: ainda não gosto de ser elogiada por gritos e com palavras que se referem a minha aparência física. Continuo não gostando do contato físico de estranhos e até mesmo de conhecidos sem que eu tenha permitido.

Isso é mimimi? Sou realmente chata por não me sentir a vontade com esse tipo de abordagem?

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Minha resposta é "claro que não" para ambas as perguntas. Não é mimimi se não me sinto confortável. Não sou chata por expor o que gosto e o que não gosto.

Ser "cortejada" é bom pra caramba, e gosto. Agora, ser exposta, não é legal.

Toda essa história serviu para chegarmos à pauta. Ouço os extensos diálogos de pessoas que dizem ser prejudicadas pelo movimento, que relacionam o status de relacionamento das adeptas ao mesmo, e ainda que promovem um verdadeiro caos em cima de algo que não está vinculado ao feminismo.

Vou bater na tecla novamente: o feminismo é a ideia de que homens e mulheres tem direitos iguais. Ponto final.

Saber diferenciar o que é uma paquera saudável de um abuso ou de um assédio é um dos pontos discutidos em vários sites sobre feminismo. E vejo que até mesmo muitas mulheres não conseguem diferenciar o saudável do abusivo. Não, não estou culpando-as.

É muito fácil termos essa compreensão. Se não está confortável com a situação; se disse não e o cara está lá, insistindo de uma forma que não te agrada; ou (pior) se está sendo machucada, e até mesmo forçada a fazer algo que não quer; isso não é paquera. Isso é abuso.

Sou o tipo de pessoa que usa as redes sociais para expor o que penso a respeito de muitas pautas que envolvem o feminismo. Eu acredito em direitos iguais. Eu abomino qualquer tipo de preconceito ou abuso pelo fato de ser mulher. Não consigo aceitar a ideia de que a falta de um pênis me torna inferior.

Se você acredita que o feminismo atrapalha a paquera, desculpa, mas posso afirmar que você não sabe o que é paquerar e tão pouco avaliar se está sendo correspondido ou não. Se é mulher e acredita que o movimento te atrapalha neste aspecto, sinto muito te dizer, mas o feminismo trabalha na ideia da igualdade; de nada interfere no seu status afetivo.

Concluindo, o feminismo não atrapalha a paquera. Eu prefiro mil vezes espantar a atrair um cara que me considera feminista demais por saber dos meus direitos e impor minhas vontades.

Não mude por ninguém. Siga e mantenha seus ideais. Se valorize. Não aceite o que te deixa desconfortável só para agradar alguém, só pelo medo de ficar sozinha.

A conquista, a paquera, o flerte, enfim, o nome que você quiser dar para isso; deve provocar borboletas no estômago. Mesmo que não dê em nada, devemos voltar para a casa com aquele sorriso bobo no rosto de quem conheceu alguém especial. As borboletas não devem ficar na garganta e sufocar.

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Foi um papo pessoal demais, abordou a minha opinião sobre o assunto; mas eu acredito que é cabível para qualquer pessoa, seja homem ou mulher.

Me despeço por aqui.

Contem pra mim o que acham a respeito.

Beijinhos


17 comentários:

  1. Ual Dona Biia!
    Arrasou!
    Usou as palavras certas... Assino embaixo, ser cortejada é bom sim, mas ser exposta ... isso não é nd legal e até mesmo quem muda o jeito de pensar por outra pessoa, isso sim é desconfortável... Se tem uma idéia siga com ela, sempre...
    Amei o post!
    Parabéns!
    Bjs!

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  2. Boa noite Bia
    Super concordo com o que você disse... também sou do tipo de pessoa que não chama nem um pouco a atenção nunca fui "gostosona" e nem sou até hoje... Não curto esse tipo de coisa de chamar alguém de gostosa em público acho isso algo muito pesado e desnecessário... tem coisas melhores a se fazer ou falar para conquistar alguém... E eu tive a sorte grande de encontrar alguém que sabe muito bem como fazer isso hehehe... enfim, o que atrapalha a paquera na minha opinião é a falta de caráter de alguns homens que se acham bom demais e na real nem são tanto assim.
    Bjinhos

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    1. Oi lindeza!!! É tão bom saber que existem homens maravilhosos. Fico feliz que tenha encontrado uma pessoa maravilhosa que te respeite, da forma que todas nós precisamos e merecemos.
      Beijos!

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  3. Como sou de cidade de interior, foi muito gostoso ler sobre as voltas na pracinha. Mesmo sendo em épocas bem diferentes,já que sou um cadim mais velha que você!rs
    Época boa demais,da inocência, das mãos dadas, da simplicidade, dos bilhetinhos. Era tudo muito saudável e não me recordo de nada mais atrevido ou neste sentido.
    Claro, os tempos mudaram e eu vejo sim, um certo exagero, principalmente de pessoas que não sabem nem o que é feminismo e saem pregando aos quatro ventos que são feministas e isso acaba lhes dando um direito que vai além do bom senso.
    Elogiar alguém nem sempre é uma cantada barata. Vi recentemente uma menina gritar com um garoto na rua pois o menino disse que ela estava linda. E detalhe, os dois eram colegas de escola. Ela só gritou para o humilhar diante da "praça" cheia de gente. Precisava disso??
    Não!
    Bom senso, acho que esta é a palavra que precisava existir e só se levantar uma bandeira quando realmente se sabe sobre o que está lutando!
    Adorei o post!
    Beijo

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    1. Oi lindona! Infelizmente, o exagero existe das duas partes, mas sinto dizer que a maior parte desse exagero está lá no sexo masculino. Vivenciei e presenciei muitos abusos, e te garanto que não é exagero.
      Existem mulheres que exageram? Claro. Existem mulheres abusivas? Com certeza!!! Mas a grande maioria são vítimas.
      Eu gosto muito dos seus comentários porque você sempre expõe o outro lado da história. Tive uma ideia aqui rsrs, acho que vai gostar (em breve falo disso).
      Beijinhos sua linda

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Moro no interior do RS, então antes da internet existir, me já dei muita "banda" em volta da praça também. É muito importante falar sobre o tema, com tantos adolescentes que sucimbem com essa tecnologia, whats, face, Insta e por ai vai, acabam se perdendo na forma de tratamento da mulher, e achando que tudo é motivo de tratar e de se comportar todas da mesma forma. Ninguém é obrigada a escutar um grito de homem na rua com " GOSTOSA", isso nem de longe é um elogio. O que queremos é respeito e um tratamento digno, pois somos mulheres que evoluimos, tralhamamos, estudamos, somos namoradas, esposas, mães, avós e tudo o assunto se fala em RESPEITO por falar, se vestir, andar, sair e não se preocupar com o homem pode fazer, não podemos ser coagidas por nossos pensamentos e por nosso comportamento. Frases como aquelas é o que mais escutamos, mas sempre digo " Cabeças pequenas, não encontram grandes mulheres". Excelente postagem ♥

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    1. Ahhhhhhhhh que baita comentário!! Amei cada colocação sua, e claro que concordo com tudo. Mulherão você!!
      Obrigada sua linda, seu comentário deixou tudo ainda melhor.
      Beijos

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  6. Eu me senti representada.
    Infelizmente pra mim, que sempre fui tímida e que sempre odiou chamar atenção, eu tenho atributos que acabam atraindo olhares indesejados. Já passei por maus bocados...
    Já cheguei em casa com os braços roxos de tanto que me puxaram por eles em um show. Também já cheguei com dores de cabeça horríveis de tanto me puxarem pelos cabelos (um dos motivos que não me deixam sentir saudades das madeixas longas). Já ouvi tantos absurdos, mas tantos, que levaria um dia inteiro para colocar aqui.
    E já fui chorar quietinha no banheiro, pois fiquei morrendo de vergonha quando "elogiaram" meu corpo no refeitório do colégio.
    Sabe o que podia virar moda? Os homens gritarem "Ei, sua inteligente!!!" ou então "Ei, você é muito importante e capaz!!!" ou quem sabe ainda, num primeiro contato, chegarem se apresentando e falando "Faz tempo que eu venho reparando nos livros que você lê, e resolvi te abordar pois eu também sou fã de Stephen King! Qual seu livro preferido do Mestre?"
    Bora sonhar. Isso ainda é gratuito, rs!

    Se o feminismo atrapalha na paquera? Sim.
    Mas o que atrapalha mesmo é o desrespeito que precisamos encarar dia após dia.

    Postagem foda, como sempre!
    Amando toda essa sua entrega!

    Beijocas!

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    1. Se tem uma coisa que amo é quando você vem correndo aqui comentar em meus posts. Fico feliz pra caramba, porque eu sei do quanto é corrido, e ainda me enche de amor.
      Fiquei triste em saber que na sua vida ocorreram momentos ruins como estes. Mas feliz ao mesmo tempo por saber que hoje você se tornou o tipo de mulher que não vai chorar no quarto, muito pelo contrário, utiliza suas táticas "unicórnio". Eu acredito que nos dias de hoje são eles que choram no quarto.
      Seria um sonho mesmo se isso acontecesse. Meu feminismo impõe muita repulsa nos boys que dizem se interessar por mim. Já ouvi comentários como "eu não sei o que conversar com ela" "o que ela gosta de ouvir"? Caramba, gosto de respeito. Um cara que seja fã de Stephen? Santo Antonio, nunca te pedi nada hahaha.
      Obrigada. Amo você!

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  7. Paquera sempre causa aquele friozinho no nosso estômago, principalmente quando vem se alguém que nos atrai. Também odeio quando os caras falam alto na rua, te chamando de gostosa ou algo do tipo,acho que a paquera deve vir de um modo mais natural, sem forçar muito a barra, se for rolar alguma coisa, muito bem,senão, temos que desencanar e partir para outra!!

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  8. Oi, Bia!
    Que hino de post!
    Menina, eu lembro da minha época de micareteira (sim, eu passei por essa fase) que nos shows era só o que rolava o cara puxar a menina e querer tascar logo um beijo. Na época, acho que eu achava tudo isso um tanto romântico, mas se rolasse hoje em dia, ele receberia era um belo chute no saco e é isso.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  9. Eu concordo com você. Existe uma diferença enorme entre a paquera e uma grosseria. Tudo depende do tom, do momento e ninguém é obrigado a se sujeitar a nada que seja legal. Existem mil formas de se aproximar de alguém e abordar aos gritos alguém, falando determinadas coisas é mais uma exposição do que elogio.

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  10. Oi Bia!

    QUE POST MARAVILHOSO!
    Disse tudo!!!

    Eu não conheço muito sobre o tema feminismo, recentemente li meu primeiro livro sobre o assunto e é bastante introdutório, e as demais informações que tenho são aquelas que leio pela internet, mas eu concordo com tudo o que disse sobre o assunto.
    Feminismo não atrapalha paquera e nem a vida afetiva de ninguém, garante igualdade! Preconceito por gênero já deveria ter estar no passado, literalmente, mas nos vemos enfrentando esse tipo de situação diariamente. Isso é revoltante, mas enquanto não conseguirmos levar a todos o mínimo de informação sobre essas questões ainda teremos pessoas que se esquivam ou não entendem o que acontece.

    Beijos
    http://espiraldelivros.blogspot.com/

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  11. Adorei o post e concordo com toda sua opinião.
    Se paquerada não dá o direito do outro ter um contato físico com você. Até porque a delicia da paquera está nos mínimos detalhes e não em ser algo grosseiro.
    É muito estar na rua e ao mesmo tempo pessoas gritando para você expondo atributos que pertence somente a você.

    beijinhos
    She is a Bookaholic

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  12. Oi Bia, tudo bom?
    Na boa, feminismo só atrapalha "paquera" de cara que não sabe chegar sem desrespeitar mulher. Como você não gosto de ser assediada, o que alguns chamam de "elogiada" na rua. Mas engraçado que namoro, conheci ele no Tinder, fiz tudo que tive vontade, estou a um ano e meio com ele e em nenhum momento me senti assediada por ele. O meu feminismo não estragou em nada a paquera. Não tenho culpa se uns manés não sabem fazer o serviço sem apelar!

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